Bel Miller nasceu em Porto Alegre (RS), onde viveu até 1988, quando se mudou para São Paulo.

Em 1998, trancou matrícula na Faculdade São Luís, onde cursava Administração de Empresas, pois descobriu que não era aquilo que desejava fazer no futuro. Nesse mesmo ano, matriculou-se na Escola Panamericana de Artes, no curso de Designer de Interiores, formando-se em 2000.

Começava a tomar gosto pela arte. Pintava, recortava, colava, criando mundos na decoração. Mas, ainda não era aquilo o desejado. Em 2002, começou outro curso na mesma escola: Artes Plásticas e História da Arte. Finalmente, havia encontrado o que tanto procurava: entre pincéis, cores, formas e cheiro de tinta, sentia-se feliz e motivada para continuar, apesar da limitação em não aprender as técnicas.

Já estava pintando com modelo vivo, quando houve uma troca de professor no último semestre. Bel mostrou ao novo mestre os trabalhos realizados até então, e para sua surpresa, foi aconselhada a fazer “escultura”. Apesar de questionar seu professor sem sucesso, sentiu-se forçada a tentar. Dedicou-se, fez o melhor que pode, até que desistiu. Pensou que não havia nascido para as artes. Ficou quase um ano sem produzir nada.

Em 2005, procurando algo relacionado com a arte, encontrou a Olaria Paulistana. Começou um curso de pintura em cerâmica com a artesã Lúcia Eid. Curiosa, interessou-se pela confecção das mesmas, aprendendo a modelar o barro e a mexer com o torno. Conheceu o processo de queima, até chegar à fase final da pintura. Foi também lá que se apaixonou pela tesoura e pelos papéis, nas aulas de decoupage. Começou a recortar, colar e criar as mais variadas composições em caixas, bandejas e cerâmicas, sempre orientada pela artista plástica Ana Lúcia Galgani. Descobriu, então, que deveria investir na técnica. Começava a nascer a artista plástica de Colagem. Não parou mais de criar. Apaixonou-se pelas possibilidades que essa técnica oferece. Entrou definitivamente no mundo da “fantasia”, onde quase tudo é possível. O tema escolhido: “mulheres”. Um tema muito vasto, muito rico. Fonte infinita de inspiração.

Surgiu, então, a preocupação em tratar a madeira, material que escolheu para servir de base para suas criações. As peças são trabalhadas com anti-fungicida, depois recebem goma-laca, que ela mesmo prepara, e, por fim, são lixadas até atingir uma textura impecável, espelhada. Com os papéis o cuidado é ainda maior, utiliza somente importados ou aqueles próprios para decoupage que são acid free. Faz muitas pesquisas na procura incessante de materiais de qualidade. As tintas e os vernizes utilizados são, todos, também importados.

Em 2006, conheceu o artista plástico Juan José Balzi, que lhe orientou sobre composição e cor. Foi muito útil, aprendeu a olhar seu trabalho de maneira diferente, a saber quando estava equilibrado ou se, ainda, havia algo a ser acrescentado e/ou retirado. Foi ele quem classificou seu trabalho como “onírico”. Bel passou, então, a caminhar sozinha. Sentia-se madura para criar sem a interferência de terceiros.

Bel acredita que chegou a hora de se expor ao público e à critica, ouvir o que pensam de suas “mulheres coladas”.